“Todo dia ela faz tudo sempre igual, me sacode às seis horas da manhã.”

A rotina de um casal retratada pelo Chico Buarque na música “Cotidiano” foi minha inspiração para estabelecer o primeiro vínculo com a nova vida em San Diego. Apesar de ter esse tempo de “férias” até a chegada do meu visto de trabalho, não posso entregar-me à vida mansa (até porque eu não conseguiria fazer isso).

Tenho algumas atividades fixas todos os dias: preparar o café da manhã, o almoço e o jantar; arrumar a casa; escrever no blog; falar com os amigos e parentes; responder e-mails e estudar inglês por conta pelo menos 3h. E todos os dias vou tentando acrescentar alguma coisa nova à rotina, como conhecer os lugares aqui perto sozinha, garampirar em lojas, ir ao supermercado, ler meus livros, pesquisar por casas e lugares para morar (estamos num hotel provisorimente), etc.

Ter atividades fixas fazem com que eu me sinta responsável por algumas coisas e regre meus horários. É extremamente difícil para mim admitir que não estou trabalhando no momento, isso me deixa envergonhada inclusive. Mas sei que é uma fase passageira e estava disposta a isso quando aceitei vir pra cá.

Para quem trabalhou muitos anos sem parar, o fato de não sentir-se útil é um grande problema. Você se sofre por ser improdutivo e parece que tudo o que faz não aparece, não é palpável. Então você olha pela janela e vê as pessoas saindo para trabalhar todos os dias, mas você não é mais pertencente a esse mundo e sente-se excluído, sozinho.

Paralelo a isso, existem as coisas banais da rotina. Amo cozinhar, mas não é a mesma coisa almoçar sozinha. Sempre tive pavor disso quando trabalhava. Muitas vezes acabava comendo um lanche na frente do computador se não tinha companhia para ir comigo a um restaurante. Mas agora eu me forço a preparar alguma coisa, mesmo que seja só pra mim, pois preciso me alimentar bem (viu mãe!) e a comida que faço dá uma sensação de estar em casa.

Estou aprendendo também a conhecer mais sobre a culinária local. Esses dias fiz a tradicional panqueca americana. De primeira não deu muito certo, mas fui insistindo e as últimas ficaram bem apresentáveis (e saborosas).

E assim vou seguindo, um diz de cada vez, um passo após o outro, tentando não me julgar ou criar muitas expectativas.

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2 opiniões sobre ““Todo dia ela faz tudo sempre igual, me sacode às seis horas da manhã.”

  1. Só queria te lembrar que trabalhar não é a única forma de viver.
    Numa sociedade capitalista somos regrados e doutrinados a seguir este rumo, a ter sucesso, a ter dinheiro, a ter um poupança, economizar, não saber o que esperar do dia de amanhã, comprar, construir, comprar, trabalhar, trabalhar.
    Mas a vida, ela vai muito além disto e destes momentos.
    As memórias, as lembranças, o que faz o coração bater forte e o que fica neste mundo é o que fazemos também fora deste tempo. As conversas, os desafios, as buscas, os encontros e os desencontros.
    É preciso trabalhar para viver, mas precisamos cuidar para não viver para trabalhar 😉
    eu te amo.

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    • Olha aí o sujo falando do mal lavado 😉 Eu sei, pequena, mas realmente não é fácil colocar o trabalhando em segundo plano, ainda mais quando você vive toda uma vida sendo cobrada por isso. Enfim, vou tentar aproveitar essas férias. Amo trabalhar, mas posso descobrir que amo tirar férias forçadas também. Love you ❤

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