“A minha alma tá armada e apontada para a cara do sossego”

Pois é, se passaram três meses desde o meu último post. O trabalho, os estudos e a tentativa de ter uma vida mais saudável acabam consumindo quase todo meu tempo. Mesmo assim, nunca deixo de pensar nos posts que podem ajudar quem está procuando saber um pouco mais sobre San Diego.

Infelizmente, a Califónria não é feita apenas de paisagens deslumbrantes e pessoas acolhedoras. Na semana passada, sete passoas foram baleadas e uma mulher morreu após um homem armado decidir acabar com uma festa de aniversário que estava acontecendo na piscina de um condomínio localizado aqui em San Diego.

Uma amiga muito próxima mora nesse condomínio e estava no parquinho do prédio com as duas filhas e os dois sobrinhos na hora do tiroteiro. Detalhe: o parquinho fica ao lado da piscina. Por sorte, eles coseguiram abrigo no apartamento de um vizinho até a polícia chegar e matar o atirador.

O motivo do crime: supostamente ódio. O atirador era branco e todas as vítimas eram negras. Além disso, o criminoso havia terminado um relacionamento e, segundo relatos de algumas testemunhas, ele estava deprimido e até ligou para a ex-namorada enquanto estava atirando nas vítimas.

Às vezes eu falo com a vida
Às vezes é ela quem diz
Qual a paz que eu não quero
Conservar
Para tentar ser feliz

Eu nunca senti medo aqui nos Estados Unidos como eu sentia no Brasil. Como eu já disse outras vezes, caminhamos por aqui à noite, vamos a parques correr sem preocupação alguma, estacionamos o carro na rua com a certeza de que vamos encontrá-lo no lugar quando voltarmos, andamos com o celular na mão sabendo que ninguém irá roubá-lo, etc. O único medo que eu sinto aqui é dessas pessoas loucas e descontroladas que atiram em lugares públicos. Confesso que tinha medo de ir na escola de inglês logo que cheguei aqui. Toda vez que caminhava pelo corredo do segundo andar, parecia que a qualquer momento iria encontrar algum lunático atirando.

Meu medo cresceu depois de descobrir que qualquer cidadão americano, desde que passe pela análise de antecedentes criminais, pode possuir e portar uma arma fogo.Os homicídios com armas de fogo são uma causa comum de morte nos Estados Unidos, matando tantas pessoas quanto acidentes de carro. E é muito fácil comprar uma arma, é como se fosse mais um artigo à venda nas prateleiras do supermercado. Para vocês terem uma ideia, existem mais de 50 mil lojas licenciadas em todo país, entra elas o Walmart. São mais de 283 milhões de armas portadas apenas por civis ao redor do país! (Para mais informações, leia este post do blog Brasileiras Pelo Mundo).

Toda vez que acontece algum massacre por aqui, como já vimos casos em cinemas, escolas, universidades, igrejas e boates, recomeça a discussão sobre o assunto. Porém, portar e manter uma arma de fogo é um direito garantido na constituição americana e todo cidadão é livre para fazer esta escolha. Além disso, a indústria armamentícia gera um lucro estrondoso todos os anos e ela é responsável por patrocinar diversas campanhas políticas. Ou seja, esse tópico ainda será discutido durante muitos e muitos anos….

Polêmicas à parte (e eu não vou entrar na discussão sobre o que eu acho certo e errado sobre o assunto), o fato é que essa é uma realidade do país. O acontecimento de domingo passado fez eu acordar e perceber que, infelizmente, esse trágico inciente pode acontecer em qualquer lugar e a qualquer momento. E o pior: os atentados são motivadaos principalmente por ódio, racismo e homofobia.

As grades do condomínio
São para trazer proteção
Mas também trazem a dúvida
Se é você que está nessa prisão

Acabamos nos distanciando tanto da violência que acontece diariamente no Brasil, que esquecemos de estar alerta o tempo todo. Claro que aqui também acontecem diversos crimes, porém em uma proporção bem menor e isto nos faz acreditar que estamos seguros. Mas o fato é que não estamos seguros em nenum lugar.

No meio de tanta violência e tristeza, encontrei uma luz que me deu certa esperança. A escola na qual as filhas da minha amiga estudam, está fazendo um tabalho maravilhoso para acolher as crianças que passaram pelo trauma de estar no condomínio no momento do crime. Todas elas foram recebidas no dia seguinte ao tiroteio pela diretora da escola e encaminhadas para um psicólogo, além de estarem sendo acompanhadas diariamente por este profissional. Os pais também estão participando de reuniões de orientação e acompanhamento psicológico.

Afinal, a vida precisa continuar e a educação e o suporte às crianças sempre foram e serão a melhor forma de construirmos um futuro melhor. Um futuro que não resolve os problemas com guerra e violência, mas sim com amor, respeito e paz.

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