“É dia de feira quarta-feira, sexta-feira, não importa a feira.”

Dois anos se passaram desde que chegamos. E o que dá para dizer desse tempo? Que ele é muito longo quando pensamos na distância daqueles que ficaram, e muito curto para realizar todos os planos que foram colocados no papel. Mas dizem que o tempo é o nosso melhor amigo. Ele ensina, ameniza, cura e reconstrói. E isso é a mais pura verdade!

Em 2016, recebi diversos e-mails de brasileiros que estão planejando sair do Brasil ou que chegaram há poucos meses nos Estados Unidos e gostariam de algumas dicas, principalmente em relação ao custo de vida. Admiro muito a coragem de cada um. Eles estão saindo do seu porto seguro para arriscar, errar, acertar, aprender e evoluir. Assim como nós temos feito todos os dias desde que chegamos.

Então, resolvi listar e responder aqui as perguntas mais frequentes para tentar ajudar outras pessoas que também estão passando pelo mesmo processo de mudança. Muitas dessas perguntas já foram respondidas ou abordadas de forma mais profunda em outros posts, mas agora elas estão organizadas em um único lugar.

Vale lembrar que este é o meu ponto de vista. Sempre recomendo pesquisar muito e falar com outras pessoas para que você tire suas próprias conclusões e faça o planejamento de mudança mais adequado a sua realidade.

Nível de inglês

Se você não fala inglês e vai passar um tempo aqui, minha sugestão é começar a aprender a nova língua o quanto antes. A melhor opção é encontrar uma boa escola de idiomas ou ter aulas particulares. Nas horas vagas, é importante seguir estudando. Recomendo o aplicativo Duolingo, que é gratuito e muito didático, para aprender gramática. Além disso, sugiro escutar rádios como a KPBS (rádio pública de San Diego) e podcasts (como os diversos oferecidos gratuitamente no Google Play e no Spotify). Eu escuto diariamente podcasts de notícias e entretenimento, e posso garantr que eles ajudam muito.

Em San Diego, eu fiz um curso de inglês em uma das escolas da rede San Diego Continuing Education. As escolas são ótimas, possuem ótimos professores e oferecem diversos cursos técnicos gratuitos. A escola não pede nenhuma informação sobre o seu visto! Porém, ela não fornece nenhum tipo de visto, como acontece nas escolas pagas. Então, é um plus nos estudos. No site da escola tem todas as informações sobre agendamento de testes de nivelamento e a lista de cursos de cada unidade.

Aluguel

O valor do aluguel vai depender muito da região que você quer morar. Quanto mais perto da praia, mais caro. Muitos estudantes brasileiros moram em Pacific Beach, que é umas das praias mais bonitas e “mais badaladas” da cidade, com diversas opções de bares e festas. Porém, o aluguel é mais caro que outras regiões. Por isso, muita gente acaba dividindo o apartamento/quarto com outros estudantes.

Muitos estudantes e famílias também acabam optando por La Jolla, que é uma região mais cara justamente por ser uma área nobre e por ser a praia mais famosa de San Diego. Em La Jolla ficam as melhores escolas para as crianças e está localizada também a melhor universidade da cidade, que é a UCSD. Se você vem com sua família, recomendo seguir a página Família nos EUA. Ela possui diversas informações relevantes sobre todos os assuntos que envolvem a mudança de uma família com crianças pequenas para os Estados Unidos.

Se você for dividir apartamento, a média do aluguel varia de $350 a $1300, dependendo da localização, dos serviços que o condomínio oferece, se o quarto será dividido com alguém ou será privado, se as contas serão ou ou não inclusas, etc. Neste grupo de brasileiros no Facebook sempre são divulgandas vagas de moradia, especialmente para estudantes. Se você não for dividir apartamento, o aluguel começa em $1200.

As opções de bairros que são próximos à praia e um pouco mais baratos que os citados acima são: Point Loma, North Park e Hillcrest. Se você não se importa em ficar longe da praia, os bairros mais baratos são El Cajon, Miramar, Mira Mesa, Chula Vista, etc.

Você também consegue saber mais detalhes sobre os valores dos aluguéis pesquisando em sites como:

https://sandiego.craigslist.org/

Caso você decida não dividir o apartamento com alguém que já está aqui, um ponto importante a ser levando em consideração é que você precisa comprovar renda e ter social security (o CPF daqui) na hora da aplicação para a vaga. Alguns locais aceitam fechar negócio caso você apresente um sponsor (fiador), que precisa morar aqui, comprovar renda e ter o social security.

Você também pode tentar morar na casa de alguma família america (e isto certamente fará uma grande diferença no seu inglês!).

Comida

Sobre o valor da alimentação, aqui a comida não é muito cara. Quer dizer, depende do tipo de comida. Fast food e comidas industrializadas em geral são bem baratas. Mas têm vários supermercados com preços bons para comprar frutas, verduras e carnes.

Eu geralmente vou em três supermercados fazer as compras da semana, pois cada lugar oferece um preço bem diferente para cada tipo de coisa. Em média, se gasta entre $50 e $70 por semana para cada pessoa. Já falei com outros amigos e esse valor pode ser um pouco maior, dependendo do quanto você come, do quanto você cozinha em casa e do tipo de comida que você compra (orgânica, sem antibióticos, sem lactose, sem glúten…).

Os supermercados mais em conta são: Food4Less, Smart&Final, Walmart, Grocery Outlet e Costco (é preciso ser sócio para comprar). Fique atento ao encartes que são entregues semanalmente no seu correio e também aos sites e aplicativos desses supermercados. A maioria oferece cupons de desconto.

Lavanderia

Acrescente no seu orçamento uma média de $2,50 a $10 de lavanderia por semana (obviamente o valor aumenta dependendo de quanta roupa você for lavar). A maioria dos apartamentos têm lavanderia coletiva e você precisa pagar por cada lavada/secada de roupa. A média é de $1,5o por cada ciclo na máquina de lavar e $1,00 por cada ciclo para secar. Existem também diversas lavanderias fora dos condomínios, mas geralmente elas são mais caras.

Carro/Transporte público

O transporte público de San Diego é bastante limitado. Geralmente é preciso pegar mais de um ônibus para chegar ao destino final. O passe mensal de ônibus/trem é $72 ou $5 a passagem por dia para usar quantas vezes quiser cada um (isso se você já tiver o cartão, que custa $2 e vale por mais de um ano). No site da MTS você encontra todas as informações sobre intinerários e valores.

Devido a essa limitacão, muitas pessoas acabam comprando um carro para se locomover pela cidade. Você consegue achar carros usados no mesmo grupo de brasileiros no Facebook que citei acima, no Craigslist https://sandiego.craigslist.org/ e em diversos outros sites listados no Google.

Caso você não tenha o social security e não pode comprovar renda por ser estudante, não conseguirá comprar um carro parcelado nas revendas. Por isso, terá que optar por comprar o carro à vista. Então, já se planeje para esse gasto.

Trabalho

Como já disse em outros posts, eu tenho a sorte de ter permissão de trabalho. Em geral, estudantes não podem trabalhar, a não ser que tenham algum documento ou façam um curso que permita. Contudo, muitos precisam se manter por aqui e acabam trabalhando como babá de criança; cuidador de cachorro/gato; garçon/garçonete/cozinheiro/lavador de prato/barista, etc., em restaurantes, bares, cafés e lancherias; com limpeza de casas; como entregador de comida, etc.

Mas atenção! Leve em consideração que se você for estudante e optar por trabalhar sem ter nenhum documento que o permita fazer isso, você estará trabalhando na ilegalidade e poderá ser penalizado se for pego!

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Espero ter ajudado!Caso você tenha alguma dúvida, envie um e-mail para derepentesandiego@gmail.com. Prometo responder assim que possível 😉

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“Quero lhe contar como eu vivi. E tudo o que aconteceu comigo. Viver é melhor que sonhar”

Nunca imaginei que outro ano fosse superar o número de desafios que 2015 me trouxe. Mas aí 2016 entrou com os dois pés na porta e mostrou que a vida é como andar em uma montanha russa de olhos vendados.

Foi em 2016 que consegui um emprego na área por aqui. Mas não foi qualquer vaga. Estou num cargo que nunca tinha trabalhado antes e isso faz com que eu me desafie a aprender coisas novas todos os dias. E o mercado no qual estou inserida é predominantemete masculino, e por isso sou testada constantemente. Além disso, tem o adicional da língua e da cultura, o que faz eu reaprender o jeito de trabalhar com comunicação a cada novo briefing que chega.

Você me pergunta pela minha paixão
Digo que estou encantada como uma nova invenção
Eu vou ficar nesta cidade não vou voltar pro sertão
Pois vejo vir vindo no vento cheiro de nova estação
Eu sei de tudo na ferida viva do meu coração…

Foi em 2016 que eu deixei o medo de dirigir de lado. Hoje, ando todos os dias pela cidade com um carrinho velho que tem sido o meu melhor amigo.

Neste ano, decidi cuidar mais de mim. Corri mais de 200km, voltei a fazer Pilates e andei muito de bike. Aprendi que a alimentação muda tudo e, por isso, deixei muitas coisas de lado e passei a ser bem mais regrada. O resultado: não fiquei mais doente e me sinto bem mais disposta.

Aprendi a julgar menos, a respeitar mais, a lidar melhor com a saudade e a distância. Perdi o medo de viajar sozinha de avião e a falar em público em outro idioma. Participei de feiras internacionais e conheci muita gente bacana de todos os lugares do mundo. Até apareci na televisão dando entrevista!

Aprendi a fazer malas pequenas e a manter uma alimentação saudável mesmo longe de casa. Aprendi a ter menos apego por coisas materiais e a optar cada vez mais por coisas usadas.

Descobri que por aqui o machismo também existe e, infelizmente, ele é bem forte. Aprendi muito sobre política americana e acompanhei de pertinho uma eleição. Assisti aos debates, li muitas notícias e escutei diversos podcasts pra ter uma opinião e um entendimento mais consistente das coisas.

Nossos ídolos ainda são os mesmos
E as aparências não enganam não
Você diz que depois deles não apareceu mais ninguém
Você pode até dizer que eu tô por fora
Ou então que eu tô inventando…

Deixe as redes sociais um pouco de lado e resolvi guardar pra mim muitas das minhas opiniões. Deixei de seguir muita gente que insiste em ter opiniões radicais e expressa violência em suas palavras. Comecei a fazer menos coisas por obrigação e a tentar agradar menos os outros.

Recebemos muitos amigos queridos e tivemos a honra de mostrar lugares incríveis pra eles. Desafiei meus pais a viajarem sozinhos e a conhecerem um mundo completamente novo. Eles aceitaram a ideia maluca e dizem que vão voltar no próximo ano.

Participei de dois festivais no meio do deserto, fui a diversos shows e trips malucas. Estou cada vez mais deixando de lado as diversas horas de programação e decidindo me entregar mais para as experiências de última hora.

Mas é você que ama o passado e que não vê
É você que ama o passado e que não vê
Que o novo sempre vem…

Este ano foi teimoso, difícil e desafiador. Ele quebrou muitos paradigmas, acabou com medos e fez com que eu descobrisse uma coragem que nem sabia que existia dentro de mim. Ele também machucou e foi bem cruel em alguns momentos. Ao mesmo tempo, ele se mostrou incrivelmente surpreendente e cheio de coisas boas.

A intensidade de 2016 vai me ajudar a ser alguém bem mais forte, e espero que melhor, em 2017. Já começo uma virada cheia de planos, sonhos e sem medo.

Que 2017 seja leve, cheio de aventuras, desafios, descobertas e aprendizados. E que não falte amor no coração e coragem para encarar todos os novos desafios que vão chegar.

“Eu não tenho data pra comemorar. Às vezes os meus dias são de par em par. Procurando agulha num palheiro.”

Andei afastada do blog, mas não foi por falta de tempo para escrever, e sim porque precisava resolver questões comigo mesma antes de externar minhas opinões e meus sentimentos. Nesse tempo, estudei, trabalhei bastante no voluntariado (agora são novamente duas vezes fixas por semana), fiz novos amigos e viajei. No próximo post vou relatar minha primeira trip pela Califa e trazer uma visão diferente sobre os lugares pelos quais passei. Porém, este post é para falar de um recomeço.

Recomeçar significa reencontrar ideias, projetos e uma pessoa que você havia perdido pelo caminho há algum tempo: você mesmo. Aquela pessoa que tinha sido engolida pelo stress da rotina maluca e pela zona de conforto. Ao reencontrar você mesmo, acontece um choque de mundos, quase um Big Bang. O “você antigo”, cheio de cicatrizes, manias e medos, descobre o “você novo”, completamente entusiasmado, cheio de planos e coragem. No primeiro momento, eles se estranham e até ficam emburrados um com o outro. Mas depois, eles descobrem que podem ser grandes amigos e ensinar um ao outro tudo o que sabem, criando um “você melhor”.

Acredito que uma boa viagem faz você alçar novos voos, descobrir novos horizontes, conhecer novas pessoas, aprender mais sobre o mundo e sobre si mesmo. Essa viagem não precisa ser para outro país, como foi meu caso, pode ser para a cidade vizinha, para a casa de paia de um amigo ou para o bairro mais bacana da sua cidade.

Viajar é ir além do seu portão. É dar passos para fora daquelas quatro paredes que tanto protegem e escondem você. Viajar é mais que pegar um carro ou um avião. Viajar é olhar para os lados e ver cores, amores e emoções. É sentir cheiros e sabores. É escutar barulhos, sorrisos, choros, lamentos e sonhos. Viajar é desenvolver cada um dos seus sentidos e descobrir que todos eles podem ir muito mais além. Viajar é fechar a porta e não olha para trás, é ter a coragem de um adulto e a alegria de uma criança. Viajar é descobrir o sabor da liberdade, entender o significado de responsabilidade e sentir na pele o significado da palavra experiência.

As músicas do Cazuza sempre me fizerem, de certa forma, viajar. Em “O tempo não para” é possível identificar um turbilhão de sentimentos, experiências e aprendizados. Dá para viajar apenas aumentando o volume e fechando os olhos.

Disparo contra o sol
Sou forte, sou por acaso
Minha metralhadora cheia de mágoas
Eu sou um cara
Cansado de correr
Na direção contrária
Sem pódio de chegada ou beijo de namorada
Eu sou mais um cara

Já comentei por aqui que o sentimento inicial de um imigrante é ser só mais um na multidão, “só mais um cara”. Durante muitos dias que passam, você acredita que “está correndo na direção contrária” e sabe que isso não vai te levar a lugar algum. Não terá “pódio ou beijo de namorada” esperando na chegada. Você terá muitas pessoas perguntando por que você está triste ou nem sempre está feliz, se tem uma oportunidade de ouro nas mãos.

Muita gente tem a ilusão de que mudar de país irá resolver todos os problemas da vida, inclusive os de relacionamento. Só que você encontra muito mais espinhos nas flores pelas quais sonhava encontrar e é difícil aceitar e aprender a desviar deles. Não adianta escapar, em algum momento você irá espetar o seu dedo e isso irá doer. E mais uma coisa: os seus defeitos acabam se exaltando em momentos de grande mudança. Isso significa que você entrará em um número de conflitos maior consigo mesmo e com as pessoas mais próximas.

Claro que existem pessoas que encaram as mudanças da vida com mais facilidade. Infelizmente – ou felizmente – eu sou diferente. Toda mudança sempre foi difícil pra mim. Sofro demasiadamente por tudo. Sou ansiosa, sou apegada à pessoas e lugares, sinto saudade de tudo.

Começar do zero em um novo país é desafiador e também um pouco frustrante. Se você não sabe falar a nova língua fluentemente, você não é nada. E aí você precisa fazer novos cursos, aprender mais do mesmo (só que no novo idioma), aceitar que é preciso voltar a fazer estágio ou voluntariado, pois não têm experiência na sua área dentro da nova cultura.

Mas se você achar
Que eu tô derrotado
Saiba que ainda estão rolando os dados
Porque o tempo, o tempo não pára

Dias sim, dias não
Eu vou sobrevivendo sem um arranhão

Contudo, você descobre que é muito mais forte do que pensa. Apesar de se sentir como uma criança aprendendo a falar um novo idioma e como um adolescente tentando ser aceito em um novo grupo de colegas/amigos, você descobre que é adulto e maduro, e prova para si mesmo que consegue encarar erros, desafios e possibilidades. “Você não está derrotado enquanto os dados ainda estiverem rolando”.

O grande degrau para se sentir aceito em uma nova cultura é não ter medo de errar. Não ter medo de escorregar na pronúncia, não ter medo de se perder pelas ruas, não ter medo de tentar conseguir um voluntariado ou um emprego, não ter medo de falar com as pessoas, não ter medo de pedir algum prato diferente no restaurante só porque você não entende quais são os ingredientes. Aí você vai aprendendo a sobreviver, por mais que alguns arranhões vão aparecendo no seu corpo. Machucar-se faz parte do processo.

Aprendi a assumir para as pessoas o que eu não sei. Quando alguém fala alguma coisa que eu não entendo, digo: “por favor, pode repetir?” e se ainda assim não entendo, digo “por favor, você pode me explicar? Estou aprendendo a falar inglês e em alguns momentos não entendo o que é dito”.

Aprendi a pedir ajuda. Peço para meus colegas de aula, para meus amigos, meu marido, meus clientes e meu chefe corrigirem minha pronúncia e a me ensinarem novas palavras. Não tenho mais vergonha de falar, pois a necessidade de expressar minha opinião é muito maior que a cobrança perfeccionista que existe dentro de mim. Não tenho vergonha de assumir que meus melhores amigos aqui são: o Google Maps, o Google Translater e minha bike.

Tomei vergonha na cara e comecei a cuidar mais da minha saúde. Há dois meses mudei minha alimentação, estou tentando ser mais natureba, consumir mais frutas e verduras, menos carne vermelha, farinha branca e glúten. Aprendi a fazer pão vegano, cookies integrais, a cozinhar diferentes receitas e a usar mais temperos naturais.

Fiz as pazes com os exercícios físicos e passei a correr. Imaginem que eu corria no máximo três minutos na esteira da academia e quase morria. Agora, já consigo correr 30 minutos sem parar ao ar livre. Claro que corro bem devagarinho, em um ritmo de iniciante, porém é preciso começar de algum lugar, não? Ao menos três vezes por semana eu dedico uma hora por dia ao exercício, seja correndo, andando de bike ou caminhando. E assim eu aprendi a dormir melhor, a me sentir mais disposta e descobri uma nova melhor amiga: a atividade física.

Não existe mágica. Viajar não irá mudar a sua vida, a não ser que você vá com a cabeça e o coração abertos. O primeiro passo é aceitar que mudar é errar, só a partir daí você irá começar a acertar. O tempo nunca para, então siga com ele.

O tempo não para
Não para, não, não pára

“Todos os dias é um vai e vem. A vida se repete na estação.”

Nesta semana, completarei cinco meses de vida nova em San Diego. Ontem, jantando com um casal de amigos brasileiros, contei histórias de vida das quais tomei conhecimento desde que passei a fazer parte da comunidade de imigrantes deste novo mundo. O ditado costuma diz que “sonhar não custa nada”, porém para algumas pessoas sonhar pode custar a liberdade e o próprio sonho. E foi com esse pensamento que acordei hoje de manhã e passei a sentir ainda mais intensamente a constante rotina de chegadas e partidas que presencio. A rotina da qual também passei a fazer parte.

Maria Rita descreve em frases curtas a relação entre “Encontros e Despedidas”, mas a simplicidade dos versos, na verdade, carrega uma imensidão de sentimentos que acontece a cada ida e vinda.

Mande notícias do mundo de lá
Diz quem fica
Me dê um abraço, venha me apertar
Tô chegando
Coisa que gosto é poder partir
Sem ter planos
Melhor ainda é poder voltar
Quando quero

Na escola que estudo, todos os dias chega um novo aluno, e todos os dias alguém também se despede. Hoje, foi a vez de um brasileiro, que passou seis meses em San Diego com a esposa e os dois filhos, dizer até logo. Ele vai com a certeza de que no próximo ano retorna para ficar de vez. Já ontem, uma menina do Cazaquistão passou a integrar a turma. Faz uma semana que ela mora em San Diego. Antes, vivia em Los Angeles com o namorado português, porém decidiu largar tudo para viver perto dos amigos, também cazaques, que moram aqui.

Nunca fui boa em despedias e desapegos. Contudo, tive que aprender, mesmo sem querer, a dizer adeus, assim como dar as boas-vindas. Ainda não consigo controlar a explosão de sentimentos que sinto quando penso na minha família que está no Brasil ou o aperto que dá no coração quando lembro daqueles que partiram para sempre, como meu avô Lino e minha avó Ana. Constantemente meus sonhos são com todos aqueles que há muito não vejo. O inconsciente saber ser poderoso e cruel. Constantemente, ele busca em nossa memória histórias e rostos para nos lembrar do mundo que existe para além da cegueira que vivemos ao tentar buscar o segredo da felicidade e da vida estável.

Há um mês, tive que me despedir da primeira grande amizade (sem ser brasileira) que fiz por aqui. A Jara voltou para Minorca, uma ilha da Espanha, pois precisa começar a faculdade e construir sua carreira. Uma menina de 19 anos, com a maturidade de uma mulher de 30, que deixou uma saudade enorme e um ensinamento gigante: “lute por aquilo que você acredita”. Ela não entendia como eu dava conta de tudo e eu até hoje busco entender de onde ela tirou coragem para ficar seis meses longe da sua família, vir para um país completamente sozinha para aprender inglês e buscar respostas para o seu futuro. Segundo ela, seus pais sempre a incentivaram a criar novos laços, a nunca ficar só na comodidade do ninho que eles construíram com tanto amor para ela. Compartilhamos livros, risadas, confidências, almoços, jantares e fotos. Aprendemos sobre amizade, distância e saudade.

Todos os dias é um vai e vem
A vida se repete na estação
Tem gente que chega pra ficar
Tem gente que vai pra nunca mais
Tem gente que vem e quer voltar
Tem gente que vai e quer ficar
Tem gente que veio só olhar
Tem gente a sorrir e a chorar
E assim, chegar e partir

Não é fácil resumir o que aprendi sobre o significado de chegar e partir nesses 150 dias, mas tentarei, assim como Maria Rita, simplificar as grandes escolhas que muitas pessoas fizeram. A simplicidade é proposital para que seja possível enxergar todo o peso das decisões tomadas que estão implícitas nas entrelinhas.

Teve gente que chegou para ficar e que: vendeu sua casa e veio com o filho adolescente com medo da violência na Polônia; vendeu seu carro, o único bem que tinha no Brasil, para tentar uma nova vida com sua namorada, mesmo que isso tenha significado passar a entregar pizza; continuou com seus negócios no México e veio com o marido e os dois filhos adolescentes para abrir novas franquias em San Diego; deixou a Itália para acompanhar a esposa, que recebeu uma oportunidade de trabalho em San Diego, e enquanto ele aguarda seu Green Card, trabalha como voluntário em um aquário na cidade; está há 15 anos morando na Califórnia e volta uma vez por ano para a China como visitante; veio da Argélia para acompanhar o marido e só vai voltar ao seu país de origem no próximo ano para realizar a cerimônia religiosa do casamento; é filipino, mas já morou na Arábia Saudita por um tempo e agora está há muitos anos em San Diego com toda a família desfrutando a poesia da vida; deixou o Iraque e está vivendo feliz há 25 anos nos Estados Unidos.

Tem gente que vem e quer voltar e que: está há 14 anos vivendo em San Diego com o marido e o filho de oito anos, mas todos os dias quer voltar para a Colômbia; está há dois meses na cidade, mas louca de vontade de voltar para o Brasil em julho, pois a vida não está sendo fácil por aqui; teve que deixar a filha de menos de um ano na Arábia Saudita para seus pais a criarem dentro das tradições, enquanto termina o mestrado nos Estados Unidos; veio estudar inglês e fazer festa por alguns meses e voltou para a França.

Tem gente que veio só olhar e que: saiu da Suíça para ficar um ano e meio em San Diego com o marido, o qual trabalha em uma empresa americana, mas como ela não consegue emprego na sua área devido ao visto, está ganhando um dinheiro extra como nanny; partiu da Guatemala há dois anos e está morando com uma tia em San Diego, mas não sabe o que fará no futuro; trabalhou durante um tempo no Brasil e resolveu tirar alguns meses sabáticos para surfar na Califórnia; está morando há um mês na casa de uma família e na metade do ano volta para a Espanha; veio do Equador, frequentou a aula durante um mês e nunca mais voltou; deixou a Síria para estudar e trabalhar em San Diego e está decidindo o que fará no próximo ano; veio da Rússia com o marido, tem medo de se relacionar com estranhos e comparece apenas a cada 15 dias na aula.

São só dois lados
Da mesma viagem
O trem que chega
É o mesmo trem da partida
A hora do encontro
É também de despedida
A plataforma dessa estação
É a vida desse meu lugar
É a vida desse meu lugar
É a vida

“Ver na vida algum motivo pra sonhar. Ter um sonho todo azul, azul da cor do mar.”

O que seria da vida sem os sonhos? Na semana passada fui desafiada pela professora de inglês a fazer minha “bucket list” com dez itens, ou seja, listar dez coisas que quero fazer antes de morrer. Quando peguei o papel em branco, pensei que sairia escrevendo como louca. Mas não. Parei diante daquela página cheia de linhas e comecei a pensar nas dez prioridades da minha vida para os próximos anos. Em nenhum momento veio a minha cabeça dinheiro ou bens materiais. Concentrei-me e abri o coração, pois aprendi que só levamos da vida as lembranças. Então, por que não sonhar com lugares, com artes, com novas habilidades, novas línguas e culturas? Por que não sonhar também pequeno? Por que deixar de realizar um sonho por achar que ele é infantil? E foi aí que Tim Maia e sua canção “Azul da cor do mar” embalou minha lista e o lápis começou a deslizar no papel.

Ah!
Se o mundo inteiro
Me pudesse ouvir
Tenho muito pra contar
Dizer que aprendi

My bucket list

– Speek and write in English very weel.

Sim, não está sendo fácil fazer este intensivo de inglês. Aqui não aprendemos apenas as regras gramaticais e a conjugar o verbo “to be” como no Ensino Médio. Em todas as aulas precisamos escrever, fazer exercícios e falar muito. Sem contar os testes e as apresentações para toda turma. E não bastam só as aulas, você precisa estudar muito em casa para conseguir entrar no ritmo da professora. Dizem que quanto mais velho você é, mais demora para aprender um novo idioma. Termino este tópico confirmando esse velho ditado.

– Visit New York at Christmas and search for the biggest Christmas tree in the city.

Sempre amei o Natal. Na verdade é a única data comemorativa que eu realmente gosto, pois para mim é sinônimo de família reunida, de amor compartilhado e de alegria. Como sou cinéfila assumida, vi todos os filmes possíveis que mostravam o Natal nos Estados Unidos. Sim, porque faz muito mais sentido ver o Papai Noel vestido com aquela roupa no meio da neve do que no calor de 40 graus no auge do verão no Brasil. Enfim, voltando ao início da descrição do sonho, uma cena em particular  de “Esqueceram de mim 2” ficou na minha memória: tem um momento em que Kevin McCallister se depara com uma gigantesca árvore de Natal repleta de luzes no meio de Nova York. A árvore é tão grande, tem tantas luzes, é tão linda, que o personagem perde o fôlego! Pronto, desde então sonho em ter esse mesmo momento. Pode ser que agora eu não ache a árvore tão grande assim, pode ser que agora ela não tenha mais tanta magia como tinha na época, mas meu coração continua batendo mais rápido quando penso nisso.

– Make a trip in a ballon and a ship.

Tenho muito medo de altura, mas quando estou dentro do avião, por incrível que pareça, sinto-me tranquila. Não sei explicar, não sinto medo quando estou voando, mas sim quando estou na sacada de um prédio alto, por exemplo. Deve ser porque o avião dá a sensação de liberdade, proporcionada aquela vista incrível do céu e deixa você passar por entre as nuvens como um pássaro. Enfim, sempre achei balões lindos e acredito que seja uma experiência incrível poder ver o mundão velho de meu Deus  das alturas com o vento batendo no seu rosto. Sobre o navio, bom, sempre amei o mar e fazer passeios de barco, mas nunca tive a oportunidade de fazer um cruzeiro em um navio. Esta aí mais uma experiência que deve ser incrível.

– Go to Greece, Italy, Thailand, Germany, Alaska, Australia, Chile and Hawaii.

Sim, quero conhecer outro países também, mas este é meu top 8. Acredito que seja melhor ser modesta do que simplesmente dizer “dar a volta ao mundo”, até porque isto é muito vago. Sei que vou precisar de mais de uma vida para dar a volta ao mundo. Sim, é para sonhar, mas para tornar o sonho realidade precisamos ser realistas em alguns momentos, não?

– Learn to cook diferent dishes, especially meats and vegetables.

Estou tentando  fazer receitas diferentes desde que cheguei aqui. Primeiro, porque a comida americana não é muito boa, já que tem muita gordura. Quer dizer, você tem a opção de ir a restaurantes chineses, vietnamitas, italianos, etc., contudo, é mais caro. Na tentativa de criar um cardápio mais saudável, toda semana tento preparar algo com peixe e vegetais. Tem funcionado 🙂 Além disso, cozinhar é algo que me acalma. Porém, não sou dessas pessoas encarnadas que faz pratos bonitos, requintados, com muitos ingredientes. As minhas regras básicas são: simplicidade e praticidade.

– See the snow and make a snowman.

Está aí mais um sonho de criança. Sempre quis ver a neve, fazer um boneco e atirar bolas nos amigos. Infelizmente, nunca tive essa oportunidade. Não que eu não tentei ir para Gramado e Canela quando a previsão do tempo anunciava que podia nevar, porém nunca tive sorte. Minha mãe, que morou em Canela até sua adolescência, tinha o privilégio de ver e brincar com essa maravilha todos os invernos. Mas os tempos mudaram, o ser humano desestabilizou o clima do planeta e acabou com algumas maravilhas naturais em determinadas regiões. Agora, é preciso viajar pra longe para ver os tão gelados flocos de neve.

– Open a library for the poor people and teach them to read and write.

Sou apaixonada por livros desde sempre. Meu maior sonho sempre foi morar em uma biblioteca. Sempre que passo em frente a uma, não resisto, preciso entrar, caminhar por suas prateleiras, pegar alguns livros na mão e respirar aquele cheiro de histórias. Quando tinha 9 anos era ajudante na biblioteca da minha escola. Como amava dar baixa nos livros, organizar as prateleiras, catalogar os livros novos, indicar títulos para as outras crianças e, claro, ler nas horas vagas! Quando dava, participava da “Hora do conto”, que consistia em escutar histórias que minha professora Neida contava. Desde então, minha paixão por bibliotecas só aumentou. Sonho um dia poder abrir uma biblioteca onde passa realizar diversos projetos, como ensinar as pessoas a lerem e escreverem. Os livros podem abrir janelas e portas na vida.

– Write for a living and write a book or many book.

Quem sabe um dia consiga viver do que escrevo? Quem sabe um dia consiga publicar um livro ou dois? Sonhar não custa, não é verdade?

– Get married in Las Vegas and in Hawaii.

Eu acabei casando só no cartório, mas como a maioria das mulheres tenho o sonho de usar um vestido branco e fazer meus votos em um lugar mágico. Mas não consigo me ver entrando em uma Igreja, até porque tenho minhas próprias crenças. Por isso, o meu sonho de casar, talvez não de vel e grinalda, mas de vestido branco e buquê de flores, é em uma praia no Hawaii e em Las Vegas (mas não com o Elvis!). Sim, eu quero casar em mais de um lugar e com a mesma pessoa. Afinal, nem todo romantismo precisa ser tradicional, nem todo amor precisa ser expresso perante dezenas de pessoas e nem toda promessa precisa ser anunciada em um convite.

– Go to a Rolling Stones, AC DC and Iron Maiden concerts.

Amo ir a shows e ainda quero ver muitos nesta vida. Assim como as viagens que quero fazer, também não sou tão ambiciosa assim na minha lista de bandas (ou sim, já que as duas primeiras podem acabar a qualquer momento) . Estão, este é o meu top 3.

E na vida a gente
Tem que entender
Que um nasce pra sofrer
Enquanto o outro ri

Mas quem sofre
Sempre tem que procurar
Pelo menos vir achar
Razão para viver

Por mais que na vida uns sofram mais, não significa que essas pessoas não possam sonhar. Que razão melhor para viver do que um sonho? Que razão melhor para dar um sentido na vida do que um sonho? Sugiro que você também faça a sua bucket list e a guarde, sempre com o objetivo de abri-la de tempos em tempos para colocar um “certinho”do lado daquilo que você realizou, ou para motivar você a acordar todas as manhãs e lembrar que todo o esforço vale a pena quando ele tem um objetivo.

“O que foi escondido é o que se escondeu. E o que foi prometido, ninguém prometeu. Nem foi tempo perdido.”

Em “Tempo Perdido” Renato Russo deixou um recado bem claro: estamos perdendo tempo com coisas supérfluas ao invés de viver para aquilo que realmente nos faz feliz. Ao nos darmos conta disso e despertarmos para a vida, vemos que estávamos presos à ilusões e tantos outros objetivos sem sentido. Mas, ainda assim, nunca é tarde para erguer a cabeça e recomeçar, pois temos todo o tempo do mundo pela frente. Ou acreditamos que temos.

Todos os dias quando acordo
Não tenho mais
O tempo que passou
Mas tenho muito tempo
Temos todo o tempo do mundo

Em alguns dias é preciso fazer um esforço colossal para levantar da cama e traçar o roteiro do dia. Quando você está acostumando a uma rotina e já tem um tempo estabelecido para tudo, é muito difícil entender como funciona a lógica do autogerenciamento dele. Aquele tempo que você tanto reivindicava quando estava correndo sem parar no trabalho, na sua louca rotina, agora está totalmente a sua disposição e você não sabe o que fazer com ele. Na verdade você até sabe, pois tem mil itens na fila, o problema é descobrir o que é prioridade, o que é realmente importante, o que pode ser deixado de lado, o que é apenas perca de tempo…

Todos os dias
Antes de dormir
Lembro e esqueço
Como foi o dia
Sempre em frente
Não temos tempo a perder

Mesmo quando você descobre ao menos uma das prioridades e foca nela, alguns fantasmas ficam assombrando os seus pensamentos. Não é fácil esquecer o que se passou e seguir em frente, tampouco tudo que você deixou para trás. Viver o momento, depois refletir sobre ele e seguir adiante para o próximo desafio, é algo que exige muita maturidade. Quantas vezes você já não perdeu tempo ruminando algo que fez ou falou e fica por dias, meses ou até anos se martirizando por isso?

Desde que vim morar em San Diego, muitas são as noites que acordo e não consigo dormir pensando em absolutamente tudo. Meus próprios sonhos me pregam armadilhas ao recuperar momentos passados, pessoas que seguiram outros rumos ou parentes queridos que já se foram. Acho que, quanto maior a distância, maior fica a memória e mais seguido ela insiste em abrir o seu baú e relembrar o passado. Talvez para se sentir mais segura com os novos acontecimentos, ou talvez para tentar encontrar o lugar das novas peças do quebra cabeça que não estão sendo fáceis de encaixar, já que não seguem mais a mesma lógica das outras.

Veja o sol
Dessa manhã tão cinza
A tempestade que chega
É da cor dos teus olhos
Castanhos

E sim, alguns dias são cinzas e trazem consigo uma tempestade. Ou talvez somos nós que fazemos com que um simples ato vire uma tormenta. Esses dias, durante o trabalho na biblioteca, uma homem pediu uma informação que eu não soube interpretar, pois ainda estou aprendendo a falar inglês. Ele ficou extremamente bravo quando eu disse isso e foi embora falando para o vento, e para quem mais quisesse escutar, que era um absurdo ter uma pessoa atendendo ali que não falasse inglês. Por mais que uma mulher tenha dito que ele era um idiota e me explicado depois com calma o que queria, isso me deixou magoada.

Sei que estou começando a estudar em uma escola, que estudo todos os dias por conta própria e que faço trabalho voluntário para treinar a língua, mas ainda assim isso não é satisfatório. E sabe por quê? Porque tudo na vida precisa de tempo. Como se o próprio Sr. Tempo quisesse me mostrar isso, no restante do dia três pessoas vieram me agradecer pelo serviço prestado à biblioteca e disseram que meu inglês é muito bom. Mesmo assim, sei que ainda preciso de tempo para aprender e conseguir estar 100% adaptada. Afinal, só se passou um mês e meio da mudança de vida (mas que parece que já foi ano!).

Não tenho medo do escuro
Mas deixe as luzes
Acesas agora

Assim como existem pessoas que vão incentivar suas escolhas, também vão ter outras que tentarão derrubar você. Talvez elas sejam necessárias para que possamos avaliar nosso nível de coragem e de preparo para encarar os desafios da vida. Ou talvez elas só sejam mal amadas mesmo.

Mas afinal o que é o tempo? Como medimos ele? Qual a sua importância? Só sei que o tempo está passando e trazendo consigo memórias, desafios e aprendizados. Para conseguir seguir o seu ritmo, é importante deixar as luzes da nossa vida sempre acessas. Essa luzes são os amigos e a família. São eles que nos dão coragem para não desistirmos ou acabarmos nos perdendo na escuridão da insegurança e do medo. Não podemos deixar pessoas negativas roubarem o nosso precioso tempo, afinal “somos tão jovens” e precisamos aproveitar a vida da melhor forma possível.