“There’s a battle outside. And it is ragin. It’ll soon shake your windows. And rattle your walls. For the times they are a-changin”

Em 1964 Bob Dylan gravou “The Times They Are A-Changin”, mas parece que a cada ano a letra se torna mais atual. Essa música ganhou um significado maior para mim quando assisti o filme “Watchmen”. A abertura é feita com cenas de super-heróis, políticos e policiais milimetricamente casadas com cada verso de Dylan. Assim como o filme, a canção traz uma mensagem de protesto apresentando as mudanças que estavam acontecendo na sociedade da época, os valores que estavam sendo deixados para trás, o novo que estava por vir e quem foram os que relutaram em aceitar tais mudanças. Tudo isso expresso através da inversão na ordem das ações, mostrando aos jovens que os novos tempos estavam chegando e que as pessoas deveriam se preparar para isso.

Come gather ‘round people
Wherever you roam
And admit that the waters
Around you have grown
And accept it that soon
You’ll be drenched to the bone.
If your time to you
Is worth savin’
Then you better start swimmin’
Or you’ll sink like a stone
For the times they are a-changin’.

E é exatamente sobre o tema “mudança” que quero falar neste post. Neste último mês alterei totalmente minha rotina por conta dos cursos que comecei a fazer. Já não tenho tempo livre na agenda e isto faz de mim a pessoa mais feliz do mundo, pois quando não sobra tempo para muitas distrações, o foco nos objetivos é maior e os maus pensamentos são afastados.

Quando vi, já era a semana do meu aniversário, a primeira comemoração de um novo ano de vida em San Diego. Sempre amei comemorar meu aniversário e fazer alguma festa. Porém, este ano o sentimento era muito mais de gratidão por tudo que havia acontecido no último ano, do que de dar às boas-vindas a uma nova fase. Eu queria ir apenas em um lugar bacana com as pessoas que realmente importam para mim aqui em San Diego. E foi exatamente isso que aconteceu.

Come mothers and fathers
Throughout the land
And don’t criticize
What you can’t understand
Your sons and your daughters
Are beyond your command
Your old road is
Rapidly agin(g)’.
Please get out of the new one
If you can’t lend your hand
For the times they are a-changin’.

Pela primeira vez senti que o peso da idade começou a fazer sentido. Além de aparecerem os primeiros cabelos brancos, agora sinto, mais do que nunca, que realmente comecei a amadurecer e a perceber o que realmente tem valor. Experiência de vida tem muito mais a ver com o tamanho das pedras no caminho que você precisa desviar, do que com o número de velas que você apaga na hora do parabéns. Por tudo isso, sou extremamente grata pelos 28 anos terem me mostrado o real significado das palavras coragem e serenidade.

Se não fossem por elas, não teria passado pelo momento mais difícil da minha jornada aqui em San Diego com a maturidade necessária. Ontem, acompanhei meu marido ao hospital achando que ele estava com dor de estômago, quando na verdade era apendicite. Para quem imaginava sair de lá 2h depois com uma lista de remédios e acabou recebendo um saco plástico para guardar todos os pertences pessoais dele antes de vê-lo entrar em uma sala de cirurgia, a probabilidade de surtar era bem grande.

Confesso que não fui forte o suficiente e tremi de medo na primeira hora. Mas a vida é cheia de anjos chamados amigos e foram eles os responsáveis por me darem a força que eu precisava. Depois de toda a energia enviada do Brasil e daqui, no fim tudo acabou dando certo. Passado o susto, fica mais fácil analisar todo o cenário e refletir sobre as lições aprendidas (mania de Gerente de Projetos).

Se tremi de medo, foi porque eu era a única responsável naquele momento pela vida de uma das pessoas que mais amo neste mundo. Eu sei que posso contar com toda nossa família e todos os nossos amigos, porém essa foi a primeira prova que tivemos que passar aqui como marido e mulher tendo que tomar uma decisão sozinhos, provando que um é responsável pelo outro e que não existe mais ninguém que possa fazer isto por nós. O peso da responsabilidade caiu sobre os meus ombros, mas ao vê-lo na sala de recuperação com o melhor diagnóstico possível, o alívio e o sentimento de dever cumprido vieram na hora. A decisão tomada realmente tinha sido a mais sensata.

The slow one now
Will later be fast
As the present now
Will later be past
The order is
Rapidly fadin’.
And the first one now
Will later be last
For the times they are a-changin’.

Então, meu amigos, a idade vai chegado e toda a bagagem que você adquiriu ao longo da vida passa do status “peso/dor” para “respostas/coragem”. Aquele momento de sofrimento lá no passado será a coragem que você construiu para conseguir suportar outra tsunami lá no futuro. O aprendizado de ontem será a resposta que alguém que você ama precisará amanhã. E assim a montanha russa da vida vai seguindo com seus altos e baixos e você segue segurando firme em um dos carrinhos. Afinal, de que adianta viver se não para sentir todas as emoções que a vida pode proporcionar?

Os 28 anos de gratidão finalmente chegaram. Agradeço a cada pessoa que caminhou ao meu lado, que me segurou no colo, que me derrubou, que me empurrou para frente ou para trás. Foi através de todo esse sacolejo que criei a minha bagagem e agora estou usufruindo da melhor forma possível de todos as suas ferramentas.

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“A vida vem em ondas como um mar. Num indo e vindo infinito.”

Planejar. Esse verbo por muito tempo guiou os meus dias. Todas as manhãs, levantava da cama sabendo exatamente o que faria, em qual horário e com quem. Perdi muitas noites de sono repassando os fatos do dia, culpando-me por ter esquecido de fazer alguma tarefa no trabalho (não respondi o e-mail x, preciso ligar para fulano, tenho que cobrar ciclano…) e tentando dizer para mim mesma que precisava priorizar alguns compromissos pessoais (esqueci de marcar minha mão pela terceira vez na semana, não mandei mensagem para a fulana, preciso confirmar presença no aniversário do ciclano…). E assim os dias passavam e eu naquela roda gigante maluca que não saia do lugar, e que cada vez mais consumia meu sono e minha saúde.

Saber planejar é crucial para a sua carreira, ainda mais quando você trabalha como gerente de projetos. Planejar é essencial para você aprender a priorizar o que realmente é importante. O problema é quando você quer planejar e controlar tudo que acontece ao seu redor.

Este novo momento da vida está me ensinando a não fazer muitos planos para o meu dia. Confesso que no início é extremamente complicado, mas com o tempo você descobre que pode ter um dia maravilho que não teria se tivesse planejado.

Esta semana era “Spring Breack” na minha escola. Semana passada estava preocupada pensando que teria minha rotina interrompida, mais uma vez. Aproveitei as manhãs para estudar, mas na quarta-feira decidi ir à biblioteca do meu bairro, afinal é sempre bom mudar de ares. No fim, ela estava fechada devido a um feriado específico. Decidi mandar mensagem para um colega que mora ali perto e fomos tomar banho de piscina, jantar e ele acabou aqui em casa à noite tomando um drink comigo e com o meu marido. Em outra tarde, decidi que me dedicaria a fazer novas receitas e passei o dia em função de pães e geléias.

Como Lulu Santos muito bem disse, a vida é como uma onda. Cada momento é composto por uma onda específica. Por vezes, ela é grande, bonita e perfeita, e você consegue surfar sobre ela; já em outros momentos, ela é traiçoeira e arrasta você para o fundo do mar, mas você precisa ter coragem para vencê-la e recomeçar tudo outra vez; por outras, ela é tão tranquila que você mal a percebe. Mas não importa a sua intensidade, cada momento está ali, acontecendo e convidando você para desfrutá-lo. Mas se você perder uma dessas ondas, não adianta chorar, pois ela não voltará. O mar não vai parar para você recuperá-la. É preciso erguer a cabeça e seguir adiante, buscando novas oportunidades, novas ondas que poderão trazer aquilo que você espera.

Nada do que foi será
De novo do jeito que já foi um dia
Tudo passa
Tudo sempre passará

A vida vem em ondas
Como um mar
Num indo e vindo infinito

Tenho uma lista de tarefas que preciso fazer toda semana e em dias específicos, mas como tenho tempo livre nesses espaços, procuro deixa a vida levar. Os finais de semana são os mais incríveis. Dificilmente marcamos compromissos, os eventos vão acontecendo com o desenrolar do dia. Sábado passado começamos o dia na praia, encontramos alguns amigos, fomos parar numa raive, depois pegamos uma jacuzzi na casa de um casal de amigos e terminamos a noite comendo o melhor hambúrguer das redondezas em um restaurante muito bacana. Resumindo, conhecemos pessoas novas, degustamos novos sabores, demos muitas risadas, aproveitamos cada minuto do dia e tudo isso sem fazer nenhum planejamento prévio.

Sempre me cobrei muito para que cada coisa fosse feita com perfeição. E, quando dava errado, senti-me a pessoa mais frustrada do mundo. Porém, nunca me dei tempo para melhorar. Agora, e com ajuda da terapia feita no ano passado, passei a entender que todos os acontecimentos intensos da nossa vida precisam de maturação, assim com um bom vinho.

Após passar por um momento triste, como a perda de uma pessoa querida, por exemplo, você precisa se dar um tempo para chora e sofrer. Depois, você precisa refletir sobre esse luto e entender o quanto ele significa na sua vida, retirando todos os pontos que possam ajudá-lo a ser uma pessoa melhor. Só depois disso você segue adiante. O mesmo ciclo acontece com as coisas boas, como uma promoção no trabalho, por exemplo. Você deve ter o tempo de comemorar e de sorrir, mas depois deve processar a novidade, entender o que fez chegar até ali e como esses pontos positivos podem ser aplicados em outros aspectos da sua vida.

Estamos mudando o tempo todo, o mundo muda o tempo todo. Nunca vamos conseguir acompanhar tudo na mesma velocidade, mas precisamos desacelerar para poder conseguir seguir na maratona com a cabeça e o coração em ordem. Quando os dois estão em conflito, a vida vira um caos!

Tudo que se vê não é
Igual ao que a gente
Viu há um segundo
Tudo muda o tempo todo
No mundo

Não adianta fugir
Nem mentir pra si mesmo agora
Há tanta vida lá fora
Aqui dentro sempre

Como uma onda no mar

Mas não se engane, não é fácil. Todo processo de mudança e amadurecimento é doloroso, muito doloroso. Tem momentos que você tem vontade de sair correndo para o colo da sua mãe como uma criança assustada e desprotegida. Contudo, você não pode. Sua mãe mora longe, ou está viajando, ou infelizmente ela já não está mais aqui.

Claro que você pode se dar a esse luxo de vez em quando, mas não sempre. Você é um adulto e precisa aprender a controlar suas birras internas, seu conflitos, seus momentos de decepção, de perdas, de erros. Ser adulto exige tomadas de decisões, escolhas que nem sempre serão as certas, mas quando são podem abrir um novo mundo para você. Porém, o mais importante de tudo é saber que: ser adulto é aprender a entender a emoções e senti-las, desfrutando a sua intensidade. Esconder sentimentos é para os fracos, os verdadeiros corajosos são aqueles que admitem sentir.

A vida vai e vem como uma onda no mar. Aproveite a brisa, a areia, o sal, a água e tudo mais que ela pode lhe dar, assim como o mar. Faça planos, mas não exagere. Nunca sabemos se o dia de amanhã chegará para perdermos tempo levando uma vida tão certinha e regrada. Toda pitada de loucura faz bem para a alma.

“Ver na vida algum motivo pra sonhar. Ter um sonho todo azul, azul da cor do mar.”

O que seria da vida sem os sonhos? Na semana passada fui desafiada pela professora de inglês a fazer minha “bucket list” com dez itens, ou seja, listar dez coisas que quero fazer antes de morrer. Quando peguei o papel em branco, pensei que sairia escrevendo como louca. Mas não. Parei diante daquela página cheia de linhas e comecei a pensar nas dez prioridades da minha vida para os próximos anos. Em nenhum momento veio a minha cabeça dinheiro ou bens materiais. Concentrei-me e abri o coração, pois aprendi que só levamos da vida as lembranças. Então, por que não sonhar com lugares, com artes, com novas habilidades, novas línguas e culturas? Por que não sonhar também pequeno? Por que deixar de realizar um sonho por achar que ele é infantil? E foi aí que Tim Maia e sua canção “Azul da cor do mar” embalou minha lista e o lápis começou a deslizar no papel.

Ah!
Se o mundo inteiro
Me pudesse ouvir
Tenho muito pra contar
Dizer que aprendi

My bucket list

– Speek and write in English very weel.

Sim, não está sendo fácil fazer este intensivo de inglês. Aqui não aprendemos apenas as regras gramaticais e a conjugar o verbo “to be” como no Ensino Médio. Em todas as aulas precisamos escrever, fazer exercícios e falar muito. Sem contar os testes e as apresentações para toda turma. E não bastam só as aulas, você precisa estudar muito em casa para conseguir entrar no ritmo da professora. Dizem que quanto mais velho você é, mais demora para aprender um novo idioma. Termino este tópico confirmando esse velho ditado.

– Visit New York at Christmas and search for the biggest Christmas tree in the city.

Sempre amei o Natal. Na verdade é a única data comemorativa que eu realmente gosto, pois para mim é sinônimo de família reunida, de amor compartilhado e de alegria. Como sou cinéfila assumida, vi todos os filmes possíveis que mostravam o Natal nos Estados Unidos. Sim, porque faz muito mais sentido ver o Papai Noel vestido com aquela roupa no meio da neve do que no calor de 40 graus no auge do verão no Brasil. Enfim, voltando ao início da descrição do sonho, uma cena em particular  de “Esqueceram de mim 2” ficou na minha memória: tem um momento em que Kevin McCallister se depara com uma gigantesca árvore de Natal repleta de luzes no meio de Nova York. A árvore é tão grande, tem tantas luzes, é tão linda, que o personagem perde o fôlego! Pronto, desde então sonho em ter esse mesmo momento. Pode ser que agora eu não ache a árvore tão grande assim, pode ser que agora ela não tenha mais tanta magia como tinha na época, mas meu coração continua batendo mais rápido quando penso nisso.

– Make a trip in a ballon and a ship.

Tenho muito medo de altura, mas quando estou dentro do avião, por incrível que pareça, sinto-me tranquila. Não sei explicar, não sinto medo quando estou voando, mas sim quando estou na sacada de um prédio alto, por exemplo. Deve ser porque o avião dá a sensação de liberdade, proporcionada aquela vista incrível do céu e deixa você passar por entre as nuvens como um pássaro. Enfim, sempre achei balões lindos e acredito que seja uma experiência incrível poder ver o mundão velho de meu Deus  das alturas com o vento batendo no seu rosto. Sobre o navio, bom, sempre amei o mar e fazer passeios de barco, mas nunca tive a oportunidade de fazer um cruzeiro em um navio. Esta aí mais uma experiência que deve ser incrível.

– Go to Greece, Italy, Thailand, Germany, Alaska, Australia, Chile and Hawaii.

Sim, quero conhecer outro países também, mas este é meu top 8. Acredito que seja melhor ser modesta do que simplesmente dizer “dar a volta ao mundo”, até porque isto é muito vago. Sei que vou precisar de mais de uma vida para dar a volta ao mundo. Sim, é para sonhar, mas para tornar o sonho realidade precisamos ser realistas em alguns momentos, não?

– Learn to cook diferent dishes, especially meats and vegetables.

Estou tentando  fazer receitas diferentes desde que cheguei aqui. Primeiro, porque a comida americana não é muito boa, já que tem muita gordura. Quer dizer, você tem a opção de ir a restaurantes chineses, vietnamitas, italianos, etc., contudo, é mais caro. Na tentativa de criar um cardápio mais saudável, toda semana tento preparar algo com peixe e vegetais. Tem funcionado 🙂 Além disso, cozinhar é algo que me acalma. Porém, não sou dessas pessoas encarnadas que faz pratos bonitos, requintados, com muitos ingredientes. As minhas regras básicas são: simplicidade e praticidade.

– See the snow and make a snowman.

Está aí mais um sonho de criança. Sempre quis ver a neve, fazer um boneco e atirar bolas nos amigos. Infelizmente, nunca tive essa oportunidade. Não que eu não tentei ir para Gramado e Canela quando a previsão do tempo anunciava que podia nevar, porém nunca tive sorte. Minha mãe, que morou em Canela até sua adolescência, tinha o privilégio de ver e brincar com essa maravilha todos os invernos. Mas os tempos mudaram, o ser humano desestabilizou o clima do planeta e acabou com algumas maravilhas naturais em determinadas regiões. Agora, é preciso viajar pra longe para ver os tão gelados flocos de neve.

– Open a library for the poor people and teach them to read and write.

Sou apaixonada por livros desde sempre. Meu maior sonho sempre foi morar em uma biblioteca. Sempre que passo em frente a uma, não resisto, preciso entrar, caminhar por suas prateleiras, pegar alguns livros na mão e respirar aquele cheiro de histórias. Quando tinha 9 anos era ajudante na biblioteca da minha escola. Como amava dar baixa nos livros, organizar as prateleiras, catalogar os livros novos, indicar títulos para as outras crianças e, claro, ler nas horas vagas! Quando dava, participava da “Hora do conto”, que consistia em escutar histórias que minha professora Neida contava. Desde então, minha paixão por bibliotecas só aumentou. Sonho um dia poder abrir uma biblioteca onde passa realizar diversos projetos, como ensinar as pessoas a lerem e escreverem. Os livros podem abrir janelas e portas na vida.

– Write for a living and write a book or many book.

Quem sabe um dia consiga viver do que escrevo? Quem sabe um dia consiga publicar um livro ou dois? Sonhar não custa, não é verdade?

– Get married in Las Vegas and in Hawaii.

Eu acabei casando só no cartório, mas como a maioria das mulheres tenho o sonho de usar um vestido branco e fazer meus votos em um lugar mágico. Mas não consigo me ver entrando em uma Igreja, até porque tenho minhas próprias crenças. Por isso, o meu sonho de casar, talvez não de vel e grinalda, mas de vestido branco e buquê de flores, é em uma praia no Hawaii e em Las Vegas (mas não com o Elvis!). Sim, eu quero casar em mais de um lugar e com a mesma pessoa. Afinal, nem todo romantismo precisa ser tradicional, nem todo amor precisa ser expresso perante dezenas de pessoas e nem toda promessa precisa ser anunciada em um convite.

– Go to a Rolling Stones, AC DC and Iron Maiden concerts.

Amo ir a shows e ainda quero ver muitos nesta vida. Assim como as viagens que quero fazer, também não sou tão ambiciosa assim na minha lista de bandas (ou sim, já que as duas primeiras podem acabar a qualquer momento) . Estão, este é o meu top 3.

E na vida a gente
Tem que entender
Que um nasce pra sofrer
Enquanto o outro ri

Mas quem sofre
Sempre tem que procurar
Pelo menos vir achar
Razão para viver

Por mais que na vida uns sofram mais, não significa que essas pessoas não possam sonhar. Que razão melhor para viver do que um sonho? Que razão melhor para dar um sentido na vida do que um sonho? Sugiro que você também faça a sua bucket list e a guarde, sempre com o objetivo de abri-la de tempos em tempos para colocar um “certinho”do lado daquilo que você realizou, ou para motivar você a acordar todas as manhãs e lembrar que todo o esforço vale a pena quando ele tem um objetivo.

“Vida louca vida, vida breve. Já que eu não posso te levar, quero que você me leve.”

A vida é louca por si só ou será que nós fazemos dela uma loucura? Será que ela não desejaria ser menos louca? Ou será que ela quer ser louca mesmo? Por que a vida é tão breve? Será que a loucura não a faz ser breve? Ou será que devemos fazer dela uma loucura por ser tão breve? Será que não podemos levar a vida ao nosso jeito? Ou será que nos acomodamos e esperamos ela nos levar para algum lugar? Será que ela foi feita para nos levar ou nós que devemos levá-la? Tantas perguntas curtas para tantas respostas complexas. Cazuza sempre nos fez refletir sobre a loucura que é viver em suas letras tão sinceras.

Algumas pessoas dizem que estou tendo sorte por aqui neste primeiro mês. A verdade é que não é sorte, é atitude e um pouco de loucura. Acredito na teoria de que as coisas não acontecem na sua vida do nada, você, de alguma forma, criou uma situação ou gerou uma ação que resultou naquele fato. Claro que não é nada fácil ter coragem e agir, isso exige um esforço gigante. Mas se você ficar parado, a vida passa.

Por exemplo, há duas semanas atrás conheci dois árabes, da Arábia Saudita, na Starbucks que tem perto da biblioteca em que faço trabalho voluntário. Estava lá fazendo minhas planilhas de comparação de preços dos itens que precisaria comprar para a casa nova e, no meio disso, acabei falando no Skype com meus dois melhores amigos. Como não tinha fone de ouvido na mochila, acabei pedindo emprestado para um dos árabes e depois, ao devolvê-lo, comecei a puxar papo. No fim, acabei conversando com Aymin e Mohammed por quase duas horas.

Conversa vai e conversa vem, um deles comentou que outro colega, Salim, estava de mudança para Chicago e precisava vender todas as suas coisas da casa. Devido à urgência, estava liquidando tudo. Disse que tinha interesse e liguei para o meu marido. Ele veio até nós e combinou uma visita à casa de Salim naquela mesma noite. Fomos até lá e adoramos! Todos os móveis tinham menos de um ano de uso e estavam muito bem cuidados. Fechamos negócio e na semana seguinte fomos lá buscar todas as coisas. Salim não quis nem conferir o dinheiro que combinamos e colocamos dentro de um envelope, pois disse que confiava em nós.

Conto esta história, pois ela me fez pensar em muitas coisas. Os árabes são, muitas vezes, discriminados e taxados de terroristas, quando na verdade existe sim um grupo de muçulmanos fanáticos que espalham terror pelo mundo com seus atentados bárbaros, mas, ao mesmo tempo, a grande maioria deles são pessoas do bem, apegadas a seus valores e sua família, e que também estão estudando e trabalhando para conquistar um lugar ao sol. Julgar o próximo é uma eterna falta de ter o que falar. É falta de respeito com o outro e consigo mesmo.

Tô cansado de tanta babaquice, tanta caretice
Desta eterna falta do que falar

Depois de tudo, mandei mensagem para Mohammed agradecendo a indicação e dizendo que havíamos fechado negócio. Ele se colocou à disposição para ajudar no que mais fosse preciso para nossa mudança. Aymin mandou mensagem perguntando como estavam as coisas para mim e para o meu marido. E assim conhecemos três pessoas que nos ajudaram a facilitar nossa instalação em San Diego e viraram nossas amigas.

Se eu tivesse me deixado levar pelo preconceito e pelo medo, certamente não teria pedido o fone emprestado à Aymin, pois antes disso tudo já tinha visto qual era sua origem ao ouví-lo falar ao telefone com alguém. Tampouco teria iniciado uma conversa com ele. Simplesmente poderia ter ido para casa. Não foi sorte conhecer os dois, foi ter a mente e o coração abertos para aceitar o outro do jeito que ele é.

Se ninguém olha quando você passa
Você logo acha que a vida voltou ao normal
Aquela vida sem sentido, volta sem perigo
É a mesma vida sempre igual

Se não tivéssemos sido um pouco loucos e ido até a casa de uma pessoa estranha, teríamos gastado o triplo do valor para mobiliarmos nossa casa, além de ter perdido muito tempo com isso. Se não tivéssemos sido um pouco loucos, não teríamos vindo morar em San Diego. Se não tivéssemos sido um pouco loucos, não teríamos saído da casa de nossos pais. Se não tivéssemos sido um pouco loucos, não teríamos conquistado nada na vida.

Todos somos iguais, independente do cargo que ocupamos, do sobrenome da nossa família, do quanto dinheiro temos, de onde viemos e para onde vamos. No fundo, todos temos medos, angústias, erros, vergonhas e esperanças. No fundo, somos todos loucos.

E a vida precisa ser louca, pois ela não espera você enxugar suas lágrimas ou curar os seus machucados. A vida precisa ser louca, pois ela corre todos os dias uma maratona e não nos espera nem para tomar um gole de água. A vida precisa ser louca, porque estamos tendo uma oportunidade de dar um sentido a ela. A vida precisa ser louca, para que possamos ser felizes. A vida precisa ser louca, para que tenhamos coragem de acompanhá-la até o fim.